Me considero uma tuiteira oldschool: pra dar RT eu tinha que copiar o que o amiguinho falou, colar, ajeitar, todo esse processo. Nos meus primórdios de twitter não tinha nenhum cliente pra gerenciar várias contas, no máximo dava pra ver os updates pelo gtalk ou pelo TwitterFox (hoje Echofon) e qualquer tipo de script era bug, chamado carinhosamente de Britney Boqueteira.
O problema do twitter é ser superestimado pela mídia, que muitas vezes por não conhecer a ferramenta, apenas tenta fazer com que todo mundo tenha uma conta porque “é legal” e porque “orkut já enjoou” ou então “porque tem artista”. Muitas desses imigrantes, muitas vezes, não tem bom senso ou só querem dar um jeito de aparecer – não entendo porquê nesse país é tão importante “aparecer” – e acabam interpretando a ferramenta de uma maneira um tanto quanto grotesca: “só importa quantos seguidores eu tenho”.
Se você pensa assim, sugiro que volte pra sua vida e pare de ler este post agora.
Não importa quantos seguidores você tem. Ninguém liga. Você pode ter 100,000 seguidores e não ser conhecido por um monte de gente, o que não te faz melhor do que o cara que tem 300 seguidores, mas que é bem conhecido por todos eles.
Deixa eu tentar explicar de uma forma mais simples: se você acha que o twitter é sobre ter seguidores para ser popular você é um completo babaca que passa tempo demais vendo filmes americanos e que deveria consultar um terapeuta.
O twitter é um canal de duas mãos, é um meio de proporcionar diálogos – e por diálogos entendam conversas, não como as de MSN, mas aquelas que tem conteúdo a acrescentar. O twitter também serve para reunir pessoas de interesses comuns, serve para ter um contato mais próximo (e rápido) com seus amigos e serve para você compartilhar conteúdo bom – ou ruim – mas que você sabe que vai interessar para alguém em algum momento.
Por sua vez você, usuário, tem o privilégio de falar para algumas pessoas, mas, principalmente, de ler tantas outras. Você pode ler trechos de músicas do Chico Buarque ou poesias de Clarice Lispector, se isso te faz bem e te acalma, ou você pode rir das piadas rápidas do Rafinha Bastos e do Danilo Gentili, ou você pode rir do humor negro do Cardoso ou do humor moleque do BQEG. Você só precisa ler e, se souber que pode interagir de uma maneira interessante, o fazer. Do mesmo jeito que você não quer um babaca enchendo o seu saco pra você fazer alguma coisa por eles, esses babacas aí em cima não querem que você fique enchendo o saco deles, sacou?
Não basta criar uma conta e pentelhar famosos e falar que você levou seu cachorro no pet shop, você tem que mostrar que além de um avatar, existe um cérebro. Sabe aquela frase genial que você leu no banheiro da porta da faculdade? Então, ela é assunto pra divagar e divagar – e quando você divaga sozinho no twitter, sempre tem alguém pra divagar sobre a sua divagação… Não precisa ser genial o tempo todo, eu tenho certeza que quando você faz amigos em uma rede social como o twitter, o seu cachorro ir no pet shop vai interessar a mais alguém, o que não dá é essa ânsia de aparecer com um tweet engraçado, ninguém precisa ser engraçado 100% do tempo e ninguém vai te condenar por ser chato de vez em quando – a não ser que você seja o Danilo Gentili ou o Rafinha Bastos porque aí rola uma cobrança de humor, mas é mais por osmose, se os caras começarem a falar da vida deles também vai ter muita gente interessada.
Não precisa forçar a amizade, só precisa fazer com que exista diálogo, que você apareça pelo que você é e pelo que você pensa e não pelo número de pessoas que estão ali pra te admirar. E eu, que sou ninguém na noite, digo por experiência própria: por mais babaca que eu seja no twitter, tem quem me admire. E, melhor pra mim, tem muita gente que eu admiro por lá.
Mas, enfim, são só divagações…