Cabeçada na parede.
Sangue.
Dor.
Cabeçada no coração.
Explosão.
Dor.
Cabeçada em ponta de faca.
Pressão.
Dor.
Quem precisa de coração com cabeça tão descabeçada?
Cabeçada na parede.
Sangue.
Dor.
Cabeçada no coração.
Explosão.
Dor.
Cabeçada em ponta de faca.
Pressão.
Dor.
Quem precisa de coração com cabeça tão descabeçada?
Dor de dente
Dor de ouvido
Dor de cabeça
Justo eu que sou a frescura em pessoa e ainda toda cheia de ai ai ai.
Mas sabe o que mais dói?
Os seres humanos me doem. A ignorância, a prepotência, a arrogância… Isso dói fundo em mim.
Sabe o que melhora?
Saber que tem muita gente que quer fazer a diferença.
Meu grande problema?
Não sei lidar com nenhum dos dois tipos.
Sei lidar com a aspirina que vai me livrar das minhas dores físicas.
As dores do mundo eu curo no escuro.
Cinco minutos no paraíso.
Não preciso da vida inteira, só cinco minutinhos.
No paraíso eu estou sentada numa poltrona dourada cercada por nuvens.
Eu vejo todos os rostos e sinto a presença pulsante.
Alguns se atrevem a me tocar de longe.
Eu ouço violinos, harpas e uma cantoria distante.
E as pessoas vão despedindo-se.
E os rostos vão sumindo.
E as lembranças esvaindo-se.
E bate o desespero.
E me dá vontade de chorar.
E bate a saudade.
E me dá vontade de fugir.
O despertador finalmente tocou.
Sonhei com minha mãe essa noite. Duas vezes, em duas situações diferentes, mas é sempre a mesma coisa: é como se ela estivesse doente e depois voltasse pra casa.
Cada vez que eu me dou conta que estou num desses sonhos, eu abraço ela bem forte e eu sinto que ela realmente está me abraçando, sinto o cheiro característico, olho nos olhos dela… Eu devia ter sido uma filha melhor…
No primeiro sonho, tínhamos a sorveteria na ativa de novo. Mamãe estava no caixa, eu passei no balcão e montei um dos meus sorvetes favoritos: lambada (leite condensado com goiabada), coco e chocolate, calda de caramelo e confeitos crocantes em cima. Sentei ao lado dela no caixa e fiquei admirando seus traços, seu jeito de falar, o jeito como atendia muito bem as pessoas, o jeito como sentava com “A Recreativa” na mão e resolvia as cruzadas super rápido… A gente conversou, ela me fez rir como sempre fazia, me deu uma bronquinha porque eu havia chegado tarde em casa no dia anterior e me fez prometer pra ela que eu seria boa com meu pai, minha irmã e meu sobrinho.
No outro sonho fomos pra uma praia, eu, ela, papai, a minha irmã e meu sobrinho. Foi um perfeito dia em família, principalmente quando a minha mãe foi na água comigo, numa espécie de lagoa natural, ela deitou boiando na água e eu do lado dela, apoiada nela, me senti uma garotinha… Conversamos sobre a vida, ela me perguntou como é morar “sozinha”, me perguntou se eu estava feliz… E eu disse que ter ela de volta depois de tanto tempo era o que me deixava mais feliz na vida.
Mãe, estou com saudade. Gostaria que, por mais mórbido que isso possa parecer, esses sonhos fossem uma premissa de morte pra mim, porque todo dia eu penso que prefiro estar ai com a senhora, onde quer que seja aí, do que aqui nesse mundo frio, cruel e malvado, que me assusta todo dia.
Eu te amo, Mamãe.
Hoje é aniversário do homem da minha vida, que me ensinou a ser uma pessoa de um coração enorme (eu sou, acreditem), que me sentava no colo e contava as histórias sobre a vida, sobre o Universo e tudo o mais.
Não há ninguém no mundo em quem eu tenha tanta confiança e admiração.
Te amo, Paizo.
Era uma vez uma menina do cabelo vermelho. Ela é tão diferente de mim, que me dava medo. E a gente é tão igual que me dá mais medo ainda. Os olhos grandes dela são expressivos até demais e ela tem boca com formato de flor. Ela me deu um abraço forte porque a gente nem se conhecia e se adorava.
E a gente fez vários planos, porque é isso que as amigas fazem. E vamos fazer muitos outros, porque é pra isso que os amigos servem. Ela me diz que quer conhecer o mundo e eu digo que vou mostrar o mundo pra ela. Vamos dividir nossas experiências, nossa grana pra pagar o aluguel, nossas lágrimas incontroláveis e umas cervejas de vez em quando.
Porque os amigos de verdade, desses que a gente pode contar com certeza, a gente não acha procurando, a gente acha por acaso. E, se por acaso eu achei ela, é mais por acaso ainda que ela vai vir pra essa cidade maluca.
Bem vinda, Talita!
Esse drama todo não me convence, baby. Eu já passei por tanta coisa nessa vida, que tropeçar em erros do passado é muito mais comum do que você imagina. Meus desabafos podem ter um vocabulário requintado, mas o sentimento é o mesmo: desprezo. Nada do que você diga vai mudar isso, a partir de agora. É uma coisa fútil, esse negócio de relacionamento, é quando a mãe diz que brincadeira de tapa não dá certo e você bate e apanha e bate e apanha e chora.
Só que passou. Como o Carnaval, que todo ano passa, passou. Uva passa. Tudo passa, tudo passará. Nada fica, nada ficará. O boêmio sabe o que diz, querido, ele entende como eu me sinto. E você também, porque você vai passar por isso, todo mundo um dia vai sentir que é lixinho cósmico, restinho de poeira especial e vai se recolher a sua infâme insignificância. O seu medo é o medo que eu não tenho e isso torna a gente tão diferente.
Você me diz que fez planos mas eu não me incluo neles. Porque eu fujo sem medo, sem planejar, eu tenho coragem de colocar a mochila nas costas e parto sem olhar pra trás, porque arrependimento não é do que você não fez, é do que você fez pensando nos outros, sem pensar nas consequências.
Meu assunto te assusta porque você não vê claramente o que eu vejo, mas porque você está preocupado demais em ver tanta coisa sem importância que se perde no que realmente importa. Você já pensou em você hoje? Você já se olhou no espelho hoje? Você já se perguntou porquê está aqui hoje?
Eu estou aqui pra te fazer abrir os olhos, porque eu cansei de todos esses problemas que as pessoas fantasiam ter. Só que seus olhos não querem ser abertos e você vai continuar na caverna. Eu vi o mundo fora dela e não quero voltar nunca mais, eu não quero imaginar, eu quero sentir cada forma, forno, fogo…
Agora, meu amor, limpe a sua mente e acredite um pouco mais do que eu te digo. Porque o que os outros te dizem é tudo mentira, é a manipulação dos seus sentidos pra você achar que sente, sem sentir.
Eu vivo, você sobrevive.
Só entende quem sabe o que é.
* Poucas coisas me dão mais prazer do que arrumar os meus livros. Eu nem tenho muitos, mas eu adoro arrumá-los direitinho, por nome de autor em ordem alfabética.
* Eu adoro comer camarão, de tudo que é jeito. Nenhum venceu o de Porto de Galinhas, que eu comi com Julia Gil, Cobra e os guris queridos do CCP. Ainda tô tentando descobrir como fazer aquele molho de ervas finas.
* Eu queria saber cantar e desenhar, mas não tenho o menor talento.
* Meu objetivo de vida é ter uma casa de caldos quentes e sucos de frutas na Europa e morar em cima do bistrozinho… Preciso aprender a cozinhar os caldos exóticos pelo Brasil a fora (só isso!)…
* Eu preciso de um emprego, mas na minha área. No final das contas, decidi que por mais que seja “coisa de louco” (segundo TODOS os meus amigos), ainda é o melhor pra mim. Só que semestre que vem eu estudo mais!
* Eu acho o Roberto Carlos um saco, mas queria cantar a mesma meia dúzia de músicas a vida inteira E ganhar dinheiro com elas…
* Os amigos do passado (bem do passado) estão voltando… O que é excelente, porque eu morro de saudade dos pentelhinhos que jogavam CS comigo… O problema é que parte deles já tem até filhos e eu fico me sentindo a idosa encalhada…
* Meu sobrinho vai ter que usar óculos, se ferrou auhsuhsaushuahsau!
* Pra completar, fica a foto do meu novo avatar do twitter: Amy Lee do gueto (segundo a Tatão):
