Lembrei dessa história hoje, quando fiquei feliz ao não ter que pegar ônibus. Amanhã, em compensação…
Estava eu, bela, lendo quietinha no meu canto. Sempre me esforcei muito pra ir sentada, tipo no canto, de preferência no banco individual (menos nos ônibus que vão pro Terminal João Dias, nesses o banco individual fica de frente com outra pessoa e você tem que passar pelo constrangimento de disputar lugar com as pernas do infeliz que senta na sua frente). Enfim, o ônibus encheu, o que não é nada incomum e o lugar do meu lado ficou vago.
Nunca na história da minha singular existência eu achei que veria uma cena tão grotesca quanto a que se passou.
Um cara, gentilmente, cedeu o lugar para uma senhora que estava em pé. Senhora entre aspas, a mulher era enorme de gorda mas devia ter, no máximo, a idade da minha irmã (uns 42). Enquanto ela demorava pra ajeitar as 13 sacolas que levava – o que me faz pensar: pra quê? – uma moça abriu caminho e, calmamente, sentou ali.
Eis que vi o barraco formado.
- Mocinha, eu ia sentar nesse lugar.
- Ah, você demorou demais, tô cansada.
- Cansada de quê? São 7 hrs da manhã, trabalhou muito essa noite?
- A senhora tá insinuando O QUÊ?
- Isso aí mesmo que você ouviu, sua rampeira!
- A senhora não tem o direito de me xingar!
- Eu, na sua idade, era gentil com as pessoas mais velhas! Ensinei isso pros meus 5 filhos!
- Pois eu acho que a senhora é uma anta velha parideira!
- Do que você me chamou? Sua galinha fresca!
Eu queria rir e não podia, senão era capaz das duas me deportarem do ônibus, então peguei meus fones de ouvido e passei a ignorar solenemente que elas estavam se xingando do meu lado.
No final das contas, o cobrador interferiu, deram o lugar pra tia e a mocinha ficou falando com a mulher da frente o quanto as pessoas eram ignorantes hoje em dia.
Fiz merda.
Fiz coisa certa.


















