Todo ano eu falo sobre meus professores, seja pra lembrar de alguma coisa que eu aprontei na escola (TENSO), seja pra mimá-los com palavrinhas fofas. Esse ano, vou falar de uma pessoa específica, alguém que me marcou e que, de certa forma, continua comigo.
Duvido que vocês tenham tido uma professora de cabelo azul (ou roxo, ou cinza, depende do humor). Eu tive. Uma professora toda hippie que sentava em posição de yoga NA MESA, que nunca desenhou bem (a Itália é sempre uma bota, easy) e que beliscava e fazia cócegas na gente de vez em quando. O legal é que, mesmo assim toda “louca”, todo mundo respeitava ela, era uma lenda dentro da escola.
Popô é professora de escola. O nome real é Maria Paula. E, como toda boa professora de história, a aula dela era mais falar do que copiar do que qualquer outra coisa. Ela falava e falava e falava e, por mais bizarro que fosse, todo mundo aprendia. Enquanto falava, ela fazia perguntas estratégicas, colocando-nos em situações do cotidiano para facilitar o entendimento.
Independente dos métodos, Popô ensinava todo mundo a pensar. Quantos professores fazem isso hoje em dia?
Meu priminho tem 5 anos e está na escolinha, sendo alfabetizado. A professora ensinou as vogais, não ensinou a ordem correta do alfabeto (ele não sabe o que tem entre A e Z) e ensinou sílabas. Ele lê, claro que lê, é decoreba, mas ele não faz idéia do que as palavras significam, ele não tem a menor noção de interpretação e, tadinho, ele vai ter uma enorme dificuldade com gramática quando começarem as regrinhas: “não pode n antes de p e b” ou “palavra nenhuma começa com ç”.
Na faculdade, muita gente não entende LHUFAS de sociologia e, inclusive, criticam o currículo da faculdade por ter uma coisa tão “obsoleta”. Sociologia é fundamental para a convivência em sociedade, mas o professor não vai lá na frente e explica isso, ele passa um monte de coisas pra gente copiar e quer que, com uma explicação muito porca, possamos realizar “debates” em sala de aula.
Eu adoro uma utopia e no meu mundo perfeito, todos os professores são como a Popô: eles nos ensinam a pensar.
Parabéns pelo seu dia, Mestres, mas pensem também em como andam fazendo o seu trabalho.