Como eu disse num outro post aí, hoje em dia é muito fácil falar “eu te amo”.
Hoje o amor é tão livre, mas tão livre (culpa dos hippies, eu diria), que o relacionamento evoluiu em várias vertentes: os casais cool, os casais normais, os casais briguentos, os casais que todo casal queria ser e os casais de metrô. Depois eu desenvolvo os outros, o caso hoje é falar dos casais de metrô.
Prestem atenção na minha linha de pensamento:
Você acorda todo dia seis horas da manhã, toma um banho onde o chuveiro está meio enguiçado e tem uma única gota gelada que cai bem no meio das suas costas, veste uma roupa qualquer e vai trabalhar, com as olheiras de um urso panda adulto. Vamos combinar: não só a minha, mas a sua vida é um saco, certo? Então, você vai e pega um ônibus lotado, vai em pé até o metrô, tem uma velha te olhando feio (sempre tem uma velha que olha feio, fato) e você finalmente chega na estação de metrô e aí, jovem padawan solteiro, que começa o terror.
Ao entrar na estação, logo na porta, tem dois rebentos com uniforme escolar num daqueles beijos onde não entra a língua, são só duas bocas mexendo-se ferozmente como se fossem dois crocodilos brigando. O problema aqui nem é o beijo em si, mas o fato desse casalsinho SEMPRE estar num local estrategicamente planejado para você trombar e ter que interromper aquele momento crocodilesco deles, você pede desculpas mas eles sempre vão te olhar bem feio.
Você então passa a catraca e corre para aquela escada não-rolante que vai dar exatamente na parte do trem que você precisa ir, é o seu atalho e no final dessa escada o que sempre tem? Outro casalsinho de metrô! Esse, geralmente, é um casal “século XXI”, os dois muito bem arrumados pois vão para o serviço e ficam ali, se amassando literalmente ao pé da escada. O beijo deles é bem mais “quente” que o do jovem casal anterior e esses têm um prazer especial em ficar mostrando como a língua deles é comprida, invadindo a boca do outro como se fossem tamaduás procurando comida no formigueiro. Você passa e sempre um dos dois tenta desviar e rola aquela tropeçadinha, aquela risadinha, um puxão fenomenal e volta a tamanduatação língual.
No vagão os casais se contentam em ficar apoiados um no outro, o que é bom porque poupa espaço. A parte ruim é que eles insistem em ficar olhando-se e beijando-se. O beijo aqui é mais contido, geralmente são “selinhos” seguidinhos, rapidinhos, com risinhos. É tudo tão inho que dá nojinho.
Fora esses citados, existe o pior tipo de casal de metrô: os engolidores despudorados. Essa classe geralmente é a evolução de qualquer uma das anteriores e dá ânsia de vômito. É um casal com atitudes tão inapropriadas para um local público que a velha que sempre está olhando acaba falando alguma coisa. É o casal que chama a atenção de todo mundo, como se aquele voyeurismo gratuito fosse bonito – aviso, NÃO É! Parece que o casal quer transformar o vagão ou a estação num quarto de motel! Rola mão daqui, mão de lá, perna prá cima, chupões, pegadas no cabelo e… Putaquepariu, para quem está passando ali para ir trabalhar, quem está voltando do serviço, quem está ali só passando, é NOJENTO! Parece que o casal está desputando quem consegue engolir o outro primeiro enquanto bolinam-se e esfregam-se. É o pior tipo que existe!
O caso é que esses casaisinhos estão cada dia mais ousados e estão transpassando as fronteiras da estação/vagão de metrô e estão tomando as ruas! Já vi casalsinho de metrô no ônibus (estavam comedidos, mas estavam lá), vi casaisinhos de metrô no shopping e já vi até no Starbucks. É tipo uma epidemia em favor do pseudo-amor com bolinação em locais públicos onde muitas pessoas podem ver.
Se você, assim como eu, cansou desse tipo de casal, siga as dicas:
1 – Mesmo que eles olhem muito feio, cara feia não mata, então empurre-os, mas com força o suficiente para que eles fiquem putos e o trem/estação toda possa perceber e rir.
2 – Por mais tentador que seja, não jogue o casalsinho nos trilhos, mas dê um sustinho neles.
3 – Deixe seu livro cair por engano perto deles. Repita o procedimento quantas vezes for necessário.
4 – Jogue um papel, eles vão procurar de onde veio e você pode passar sem ter que ver o “horror show”.
5 – Jogue a velha que fica sempre olhando neles. O chilique é tanto que compensa até assitir.
6 – Aumente o som do seu iPod, iPobre, iChingling e similares e passe perto do casal, cantando de preferência. A cara de “broxei” deles compensa qualquer mico, sério.
No caso de nada disso funcionar, tome vergonha na sua cara redonda, tire a bunda da frente do computador e com o seu dinheiro suado faça um investimento que, se cuidar, é para sempre: COMPRE UM CARRO MANÉ!
Este é um texto humorístico, qualquer semelhança com a sua realidade amorosa no metrô não é mera coincidência.