Quando sentei a bunda a primeira vez na frente de um computador devia ter uns 09 anos e foi um saco para a “tia” da escola me tirar de lá. Foi fascínio por ele todo, por como eu apertava o botão e a letra aparecia na tela, por como eu mexia o mouse e ele mexia na tela e oh! Havia uma tela. Isso no ano de 1997. Mal sabia eu que tinha gente que vivia daquilo e pessoas que se conectavam com aquilo, mas eu era uma criança e dane-se, eu queria ver era aquilo funcionando! E haja genialidade infantil, que me falta agora, peguei uns papelões em casa e reproduzi um computador. Foi fascínio, já disse!
Decidi que queria viver daquilo. Em 2000/2001 eu já entrava em salas de bate-papo e começava a visitar blogs, procurava notícias e achava tudo mais fácil ali na máquina. Em 2003 fui fazer um curso técnico em informática, junto com o colegial, ênfase em Processamento de Dados, LINDO! Eu sabia como o computador funcionava, eu entendia o porquê do computador funcionar e ainda programava pro computador facilitar a minha vida… Fascínio!
E em 2003 eu criei um blog que eu não vou passar o endereço prá ninguém. Na época, a moda era o Blig, todo mundo tinha um blog no Blig e todo mundo tinha o endereço de todo mundo e fuçava na vida alheia descaradamente. Um ano depois veio o Orkut e facilitou muito para essas pessoas preocupadas em saber da vida das outras… E nesse mesmo ano em que eu já era totalmente familiarizada com o computador, eu fiquei abismada ao presenciar uma cena e, chocada, me emocionei: eu estava diante do futuro.
Foi assim: morava no litoral ainda e meu bairro é periferia total, bem pobrezinho, as pessoas são bem carentes, mas todo mundo (ou quase) se ajuda. Minha irmã era diretora da escola que tem aqui, escola estadual, sem verba. Veio uma verba do Governo Federal para a compra de 10 computadores para a escola, montando assim uma Sala Multimídia. E lá foi a minha irmã atrás de orçamento e tudo o mais, conseguiu os 10 computadores com a “verbinha” mandada e me chamou prá dar uma olhada na instalação.
Quando cheguei, tinha uma montueira de crianças na porta. Fui pedindo licença e tirando um e outro da minha frente e um molequinho, carequinha, bonitinho até, uns 11 anos: “Tia, que que é isso?!”
Ele nunca tinha visto um computador na vida. Não só ele, a maioria daquelas crianças. Sentar na frente de um computador, tocar no mouse e no teclado, clicar, conectar, chat, blog, nada disso significava nada prá ele, mas ele estava na frente de um computador. É o futuro!
Experiência parecida eu tive quando cumpri estágio (no ano de 2004) no INFOCOM, a Informática da Comunidade, que oferecia aulas gratuitas de informática com certificado para crianças da rede pública de ensino. O fascínio era instantâneo, não de todos, alguns já haviam frequentado Lan Houses e etc, mas a grande maioria nem dinheiro para isso tinha, então o primeiro contato foi ali.
Quando eu sentei a primeira vez na frente de um computador, mal imaginava que já haviam milhões de pessoas conectadas. Eu fiquei fascinada, mas muitas já haviam perdido o fascínio.
Por que eu estou falando tudo isso?
Porque assim como tinha esquecido muitos dos meus ideais com o blog, ideais pessoais que fique claro, tinha esquecido o fascínio que eu tenho pelas máquinas. Tinha esquecido como é lindo alguém que nunca sentou na frente de um computador, dia mais dia menos, criar um e-mail. Tinha esquecido como foi com a minha mãe, que com 61 anos de idade tinha um blog e adorava lista de discussões e mandava e-mails o dia todo e eu achava lindo a “minha velhinha” tão moderna e não dá prá não me emocionar lembrando disso.
Falei e contei tudo isso prá lembrar prá um monte de gente que estamos vivendo o futuro da minha mãe e estamos construindo o futuro dos nossos filhos. Somos cidadãos e hoje, mais do que nunca, estamos ligados, porque a internet proporciona isso. Falta educação dentro da internet, que não é só orkut nem só blogs, mas é muito mais. É VOZ.
Em 1984 acabou a Ditadura Militar no Brasil e com ela a censura. EU POSSO DIZER O QUE EU QUISER PORQUE EU ESTOU NUM PAÍS LIVRE. E tem beleza maior que essa, existe coisa mais linda que LIBERDADE?
Prá mim não.
E a internet está sendo a minha voz agora. É a voz do futuro e é a liberdade. Eu posso usar a internet prá mudar alguma coisa na vida das pessoas ou prá mudar na minha, mas eu uso a internet prá me informar e prá tentar mostrar para as pessoas como eu penso, o que eu sonho, o que eu quero e o que eu acho certo. Eu quero um mundo justo, eu quero liberdade, eu quero comunicação, quero estar em todos os cantos do globo ao mesmo tempo e dá prá fazer isso, porque eu estou conectada.
Campus Party me lembrou tudo isso também. A melhor palestra do Campus Party, que muitos ignoraram e eu não, que me lembrou do meu fascínio e no de muita gente.
Marcelo Estraviz e Hernani Dimantas. Criadores do conceito de Linkania, que é muito mais que isso tudo que eu falei. É a desterritorialização da cidadania, é a VOZ, a LIBERDADE DE EXPRESSÃO, é pode falar, conectar e LINKAR.
Creio que LINKAR é o verbo do futuro. Do amanhã. Eu linko, tu linkas, ele linka, nós linkamos, vós linkais, eles linkam. É fugir dessa maldita regra gramatical e linkar. Não tem a ver com acessos, mas tem a ver com LIGAÇÃO. Linkar é ligar.
Como disse o Marcelo Estraviz:
“Então linkania é isso. É a cidadania sem cidades. É desterritorializado. A ação se dá localmente, mas a conexão é global. É o link do amigo, do vizinho. É a dica. É o negócio entre duas empresas de 2 continentes diferentes. É a ajuda que teu primo te dá desde Madri por email. É a discussão que circula na lista pra visitar tal exposição, e o link pra exposição, que imprimem e colocam no mural da creche. Tudo isso é link. É a matéria que um blogueiro comenta e que te faz pensar. É a descoberta valiosa do desempregado que vai a um infocentro e se cadastra em um programa de governo que lhe dará um emprego. E foi o vizinho que disse. Deu a dica, o link. E aí, pouco a pouco, vamos descobrindo quais são nossos direitos, porque a informação é pública. E vamos percebendo quais são nossos deveres, porque quem está em volta sugere e a gente concorda. E é assim mesmo, meio caótico, desestruturado.”
Conectar-se, linkar-se e libertar-se não é perfeito?
Eu acho. E na minha caótica mente eu entendo direitinho a desestruturação do esquema e sou grata e feliz por ter a oportunidade de fazer parte dele. E quero fazer mais por ele. Meta.
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Espero não ter errado no que disse, porque foi isso que eu entendi.
Aliás, eu sou livre, se eu errei eu conserto. Ha-ha!
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Honrei o comentário “Tipuri“? (Tomara!)
Ah, e LINKANIA é termo na Wikipédia.