Esse post poderia ser sobre como meus olhos azuis são lindos porém defeituosos, mas não, o karma é outro.
Vou contar algumas das muitas histórias bizarras envolvendo o tal do karma e, creio vocês vão entender.
Eu não sou a guria mais linda do mundo. Sou bonitinha, até, mas não sou daquelas que chama atenção e para o trânsito, beeem longe disso, o que faz com que eu pareça (e só pareça, que fique claro), atingível. Por atingível, entendam que eu possa cair em qualquer papinho.
Cobradores e motoristas de ônibus são cheios de papinhos para aquelas moças que eles julgam “atingíveis” e eu não me preocuparia com isso se eu não tivesse que ver, toda a vida, olhares sensuais da parte deles. Olham pra mim e baixam os olhos para meus peitos e quase sempre falam com eles (como se eles fossem responder)… O horror!
Seguranças de balada também são adeptos ferrenhos dos olhares sensuais. Eles chegam ao cúmulo de ficar olhando pra sua bunda enquanto você está lá se acabando de dançar e não ver mais nada, inclusive dão aquela mordidinha horrenda no cantinho da boca. Uó!
Caras feios no metrô utilizam-se da mesma tática de olhares sensuais… Eles olham para qualquer parte do seu corpo que não seja o seu rosto, dão aquela fechadinha nos olhos e, quase sempre quando reparam que você está olhando feio, partem com os olhares sensuais para o seu cabelo (eles nunca olham nos olhos) e começam a tentar puxar papo, enquanto chegam perto de você. Eu corro e desço, mesmo que não seja a minha estação.
Agora, o pior olhar sensual que eu já tive na minha vida, foi num museu (prefiro não citar nomes). Estava eu lá, toda bela e saltitante observando por horas e horas e horas e horas cada obra, admirando cada detalhe e fazendo valer o dinheiro da entrada quando eis que surge… O chato! Porque, assim, uma pessoa que vai puxar papinho contigo no museu só pode ser um chato. O cara chega do meu lado:
- Pintura bonita né?
- É. (Bem seca, pra ele se tocar e vazar da minha frente)
- Não é mais bonita do que você. (Não adiantou, ok, plano B)
- Obrigada. Licença. (Seca novamente e fui pro outro lado)
Parei pra ver outra coisa, do outro lado do salão:
- Você por aqui de novo! (Porra, estamos num museu!)
- É, né. (Estava de bom humor E educadinha no dia)
- Sabe de quem é essa pintura?
- Sei, tá escrito ali, ó.
- Ah, mas você sabe quem é *insira o nome de qualquer pintor abstrato aqui*. (Ai, meu saco…)
… Depois de meia hora de explicação e eu com cara de cu…
- Mas, sabe, essa pintura é muito bonita, mas não tanto quanto você… (A mesma cantada barata? Ah não!)
- Quer saber, amigo, vai tomar no cu, me deixa ver a porra do museu em paz. (Meia hora de explicação acabam com a minha paciência).
Ok, o cara saiu de perto de mim, sentou no meio do museu e eu achei que ele estava contente… Fui, passei por um lado, pelo outro, blá blá blá… Quando eu olho pra trás, o sujeito está lá, olhando pra mim com olhares sensuais. Maldito karma oftalmológico!
Reação final? Fui embora. Nem todo o meu suado dinheiro gasto na entrada de um museu vale essa inconveniênca…
Lição aprendida?
Se na próxima encarnação eu for homem, eu nunca vou repetir cantada… E eu jamais vou olhar pra uma guria com olhares sensuais, porque olho meio aberto meio fechado, sobrancelha arqueada e biquinho não são NADA sensuais.














